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Dança do Ventre para Crianças
Autora: Málika
E-mail: malika@malika.com.br
Este artigo, teve como foco responder a pergunta de nossa aluna Semiramis
Castela Lins de Poços de Caldas, a qual agradeço, pela sua
participação!. A pergunta foi a seguinte:
"Ficaria muito grata se pudesse me explicar com mais detalhes sobre o porquê de não darmos aulas para crianças abaixo de 12 anos e se podemos trabalhar só que de forma lúdica, trabalhando alguns movimentos básicos de mãos, braços porém evitando o quadril. "
Eu
não pretendo aqui esgotar o assunto, mas colocar algumas observações que
acredito serem importantes, mesmo porque essa é uma questão que merece um
estudo muito apurado feito por profissionais da área de saúde com especialização
e enfoque voltados para a infância.
Existem várias "opiniões" sobre o tema: meninas podem ou não podem, devem
ou não praticar a dança do ventre. Sem querer desmerecer as opiniões, existem
opiniões e opiniões e na minha humilde opinião, devemos nos basear em estudos
científicos elaborados por profissionais capacitados, caso contrário, corremos
o risco de emitir "achômetros" ( eu acho que...) sem nenhum respaldo.
Como eu não sou uma especialista ( fisioterapeuta, profa de educação física
) em trabalho com crianças, consultei vários profissionais da área e juntei
a minha experiência e conhecimentos de dança e técnicas corporais. Em princípio,
eu entendo que devemos ser muito cautelosas e estudar caso a caso - aliás
não só na escolha da dança do ventre para meninas, mas na escolha de qualquer
modalidade de uma atividade física para uma determinada criança.
A dança do ventre pode ser praticada por crianças, mas as aulas para as
meninas são bem diferentes das aulas para as adolescentes e adultas, em
respeito às questões anatômicas e funcionais próprias de cada fase do desenvolvimento.
As crianças possuem centros de ossificação, seus ossos não estão "completamente
formados". As articulações também estão em desenvolvimento. Assim existem
atividades, movimentos e exercícios que são recomendados e outros não.
Para ilustrar melhor, vamos mencionar um exemplo "gritante", um extremo:
alguém já imaginou uma criança fazendo halterofilismo? Entre esse exemplo
e a criança segurar uma folha de papel, digamos, para fazer uma analogia,
existe uma gama infinita de movimentos que deverão ser cuidadosamente avaliados,
considerando cada fase do desenvolvimento da criança, suas possibilidades
e limitações. Além da dança do ventre, então, todas as atividades físicas
deverão respeita - los.
Estudando o mapeamento energético da medicina chinesa - os meridianos -
, bem como os chacras, nos deparamos com outra questão. A dança do ventre
poderá estimular o chacra que se encontra na região pélvica ( em consequência
de seus movimentos ) captando e gerando mais energia e redistribuindo essa
energia pelo resto do corpo ( outros chacras ). Essa é uma questão muito
delicada, porque essa energia também é a energia da criação, da vida, que
é a sexual - "onde a vida é gerada".
Então fica a pergunta: é saudável estimular energéticamente um órgão, um
sistema que procria, se ele ainda não está pronto para isso? Qual o caminho
dessa energia? As minhas aulas não tem nada de místico ( ex: não pode emprestar
o véu porque ele tem a energia da bailarina.Algumas pessoas acreditam nisso,
outras não emprestam porque não gostam e inventam uma "desculpa" aceitável
), mas eu não posso deixar de considerar esse enfoque. Levando em conta
todas essas questões, as aulas para as meninas podem ser compostas de estudo
dos ritmos e musicalidade, deslocamentos, giros, equilíbrio e eixo ( não
no sentido circense ) movimentos de braços e mãos em abundância integrados
à expressão,"leveza , suavidade e graciosidade", véus, snujs, pequenas bengalas
( e só aqui já possuímos um vastíssimo material de trabalho ) e uma pré
pré pré preparação para os movimentos que costumamos chamar, em linguagem
popular, dos quadris, preparação essa que poderá ir aumentando de acordo
com a faixa etária, até atingirmos a adolescência.
Em suma, o enfoque das aulas voltadas para as crianças não precisam ser
os movimentos dos quadris. Na verdade, este também não é o enfoque principal
das aulas voltadas para adolescentes e mulheres! Mas isto é assunto para
outro artigo...