UTILIZAÇÃO
BOLAS SUÍÇAS ( BIOBALLS)
Autora: Málika
E-mail: malika@malika.com.br
A utilização das bolas ( bolas suíças, bioballs, gymnastik
ball, bolas terapêuticas ou grandes bolas de ginástica), como meio facilitador
no aprendizado e conscientização corporal de alguns movimentos da cintura
pélvica na dança do ventre.
As bolas de ginástica sempre me fascinaram. Semelhantes ao próprio corpo
humano, permitem uma série infinita de exercícios, muitas vezes integrando-se
ao movimento daquele e outras "dando continuidade" ao movimento do corpo.
De forma redonda, similar à nossa anatomia arredondada, curvilínea e espiralada,
desde a cadeia genética do DNA até as nossas estruturas ósseas e musculares,
vem sendo cada dia mais aplicada em tratamentos nas áreas de fisioterapia
e terapias corporais, e, ainda, na dança. Concordo plenamente com as orientações
da Profa Laís Lima: -"Todo professor tem uma responsabilidade muito grande
quando se expõe e transmite conhecimentos a seus alunos. Para o professor
de Educação Física e de Dança, esta responsabilidade se alia ao bem estar
físico, à aproximação tátil e a uma complexidade de atitudes psicossomáticas
que, na maioria das vezes, impede ou dificulta os movimentos que o corpo
humano é capaz de executar.
É muito importante que o professor da Dança conheça a anatomia do corpo
humano ( sua estrutura óssea, muscular e circulatória ) e saiba como identificar
a real utilização muscular e articular dos movimentos que exige dos seus
alunos. Assim como seus alunos devem se conscientizar do trabalho que estão
executando, evitando, com maior margem de segurança, estiramentos musculares,
posturas incorretas e conseguindo melhor distribuição energética por todo
o organismo através da aplicação correta do movimento respiratório". Os
recursos que ele utilizará envolvem, principalmente, a criatividade ...".
Pensando nas necessidades e particularidades da dança do ventre, desenvolvi
algumas séries de exercícios com as bolas que acredito serem bastante úteis
para auxiliar a compreensão - em sentido amplo, ou seja, mental e corporal
- de diversos movimentos executados por determinadas "partes" do corpo,
exigindo a dissociação dessas partes do todo, em determinados planos do
espaço. Vamos mostrar, aqui, a título de exemplo, somente dois exercícios
que compõem uma dessas séries e que auxiliam a promover a "dissociação"
entre movimentos da pélvis e membros inferiores para facilitar a execução
de movimentos "desenhados com a bacia, ou os quadris" , no plano horizontal,
dada a dificuldade que algumas alunas encontram em executar esses movimentos
sem envolver os membros inferiores (as pernas).
Devemos observar que existem vários tamanhos de bolas com diâmetros variando
de 42 cm a 1m e 20 cm, com cores diferentes para cada um deles, dependendo
da origem da fabricação ( Alemanha, Itália, Suíça e USA ). A escolha do
tamanho da bola é muito importante e deve levar em conta a estatura e o
comprimento das pernas de cada aluna, de forma que, sentada na bola, em
posição correta - coluna ereta.. Em geral, as bolas de 65 cm são as mais
utilizadas, em decorrência dos critérios acima definidos. Entretanto, algumas
alunas vão precisar usar bolas menores ( 53 cm de diâmetro, por exemplo
) ou maiores ( 85 cm de diâmetro, por exemplo ).
Exercício nº 1: sentada na bola, a aluna imagina que a sua bacia está sobre
um skate e vai deslizar suavemente de um lado para outro, sem perder o contato
dos ísquios ( ossos integrantes da bacia que sentimos apoiados, "fincados"
na parte superior da bola - se estivermos com a coluna ereta ) com a bola
. Os joelhos mantém -se alinhados, na direção do "segundo dedo do pé", ou
seja; aquele ao lado do "dedão", como no início do exercício.. Deste modo,
usamos a bola como um recurso para as alunas entenderem e perceberem que
as pernas não executam nem "acompanham" o movimento dos quadris, isto é;
não oscilam de um lado para o outro, apenas para as coxas é transmitido
um pequeno e discreto "balanço".
Exercício nº 2: seguindo as mesmas orientações do exercício nº 1, "desenhamos"
círculos no plano horizontal, isto é, em cima da superfície da bola, nos
sentidos horário e, depois, anti - horário, ou "para a direita e para a
esquerda". Os joelhos mantém - se alinhados em relação aos pés e as pernas
não "caem" para dentro, para fora ou para os lados. Aqui vamos constatar
que ocorre uma minúscula variação apenas no ângulo dos joelhos, variação
esta que se apresentará, igualmente, ao executarmos os mesmos movimentos
em pé, sem a bola. Tanto no exercício 1 quanto no exercício 2 não há necessidade
de uma amplitude grande nos movimentos. Cada aluna irá mover-se dentro dos
suas condições e limites corporais, respeitando - se, assim, a individualidade
anatômica e estrutural de cada uma delas.
Pode-se, inclusive, dentro de cada um desses exercícios, com o intuito de
explorar e enriquecer o conhecimento e a conscientização corporais, pesquisar
as diversas amplitudes possíveis de cada aluna, desde que respeitadas as
orientações para a execução dos mesmos. Finalmente, terminados estes dois
exercícios, esses mesmos movimentos podem ser repetidos em pé, sem a ajuda
da bola, ocasião na qual cada aluna poderá verificar, entender e confirmar
que esses movimentos podem ser executados "apenas" pela bacia, sem a "participação"
das pernas.