BREVE COMENTÁRIO SOBRE OS JOELHOS NA DANÇA
DO VENTRE
Autora: Málika
E-mail: malika@malika.com.br
A existência de faculdades de dança no Brasil é muito recente.
Consequentemente, a formação de muitos dos nossos bailarinos e professores
de dança ficou deficiente no que diz respeito às disciplinas como anatomia
e cineseologia. Inúmeros profissionais da área vem suprindo tal falta com
cursos específicos paralelos, ou, ainda "enfiando" a cara nos livros. Essa
falta de informação e formação reflete se em todas as modalidades de dança.,
no que diz respeito à observação de alguns "limites" anatômicos e do próprio
funcionamento do nosso corpo, para a execução de determinados movimentos,
em relação à algumas pessoas ou à população em geral. Na dança do ventre
existem algumas "questões anatômicas" elementares que precisam ser bem definidas
e explicitadas para que a técnica da dança do ventre possa ser bem conduzida.
Num panorama mais amplo, podemos dizer que esta dança é rica em movimentos
circulares, arredondados, espirais, torções e pélvicos. Para a execução
desses movimentos sinuosos e de outros movimentos pélvicos, ou seja; dos
'quadris", é imprescindível que se "dobrem" os joelhos. Temos aqui uma das
questões anatômicas mais importantes para a dança do ventre, que iremos
abordar de modo suscinto: os joelhos e obviamente , sua relação com os pés
e articulação coxo femural. De uma maneira extremamente simplificada, podemos
dizer que as articulações são as "dobradiças" do corpo. O joelho é uma delas,
aliás é uma das articulações mais complexas; não funciona como simples "dobradiça",
apresenta, também, uma rotação. A articulação coxofemural ( ou coxo - femural
) é a dobradiça entre a coxa e a bacia e que também chamamos de quadris.
Entre a perna e o pé encontramos outra articulação: o tornozelo. Como dizemos
na dança, "esticamos' o pé e "flexionamos" o pé, movimento que seria impossível
sem essa dobradiça. Usando a possibilidade de "dobrar" ou "não dobrar" essas
3 articulações e suas inúmeras combinações, o corpo humano é dotado de uma
ampla diversidade de movimentos, sendo que cada modalidade de dança pinça,
dentro desse conjunto, os movimentos que lhe interessam. Na dança do ventre,
"desenhamos determinados contornos como, por exemplo, círculos, oitos, espirais
e símbolos do infinito com determinadas partes do corpo e em certos planos
e direções no espaço". Assim quando vamos executar qualquer desenho, qualquer
movimento com a bacia, com os "quadris", não podemos manter as pernas esticadas.
Para tanto, utilizamos as "dobradiças" e "dobramos" ligeiramente os joelhos
que, além disso, devem estar "alinhados" ou seja; os pés estão paralelos
e afastados - a distância entre um pé e o outro corresponde à distância
entre os "ísquios" (aquela parte da bacia que sentimos em contato com
a cadeira quando sentamos, as duas "pontas ósseas") ou, distância entre
os quadris, para facilitar. Os joelhos estão ligeiramente dobrados, não
chega a ser um démie-plié,
( f. 04 - excesso de "plié")

e estão dobrados na direção do segundo artelho, isto é, o "dedo" ao lado
do dedão" do pé( f. 06 ).
Portanto, durante a execução dos movimentos pélvicos, os joelhos não "caem"
nem para dentro, ( f. 05 )

nem para fora ( f. 03 )

e nem para um dos lados ( f. 01 ).

É possível realizar alguns movimentos pélvicos com uma das pernas esticadas
e a outra dobrada. Mas é totalmente desaconselhável, por prejudicar a musculatura
para- vertebral e que sustenta a coluna vertebral, além da própria coluna,
podendo levar até à instauração de víçios posturais. Entretanto, isto não
quer dizer que o ângulo do plié de cada uma das pernas pemaneça igual o
tempo todo( f 07 ).

Um símbolo do infinito desenhado com "os quadris" , na vertical, apresentará,
durante a sua execução, pequenas variações dos ângulos. Todos esses cuidados
e observações tem por fundamento a. anatomia e a cineseo1ogia aplicadas
à dança do Ventre com o intuito de preservar o corpo, principalmente os
próprios joelhos e a coluna vertebral, dando ênfase à região lombar.